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Artigo - DM - 23/10/2009

Terceira via, a aventura do caos na desconstrução da origem

Afonso Lopes

A cúpula palaciana do PP tem insistido na possibilidade de lançar uma alternativa eleitoral à polarização entre o prefeito Iris Rezende Machado e o senador Marconi Perillo. Isso é possível ou não? Do ponto de vista da legislação, é claro que os dirigentes do PP podem fazer qualquer coisa nas eleições de 2010, inclusive nada. Ou não exatamente. Para determinar os rumos do PP no ano que vem os palacianos vão ter que apresentar alguma proposta e colher a maioria dos votos numa convenção. Em outras palavras, a cúpula terá que formular algo que tenha apoio suficiente para ser encampado também pela base partidária.

Fala-se muito num tal poder palaciano. Ele é real, e se estende em todas as direções, da política partidária à administração pública, dos cargos nomeados às demissões em massa de adversários, do favorecimento eleitoral para aliados à perseguição implacável das bases oposicionistas. O poder palaciano pode muito. Mas não é absoluto, embora em alguns momentos os detentores temporários desse poder atuem com viés absolutista, alimentando ilusórios cenários do exercício desse poder.

Essa visão absolutista está latente neste governo, e não é de agora. Desde o início de janeiro de 2007, há um esforço extraordinário para negar a realidade do passado recente, e criar uma nova versão para os fatos. Assim, embora com certo constrangimento, os palacianos negam, por exemplo, que só conseguiram chegar ao Palácio das Esmeraldas por obra e graça de um decisivo cabo eleitoral que carregou a proposta da continuidade na campanha de 2006, dando-lhe credibilidade popular.

E o que vem sendo apresentado ao eleitor nos últimos três anos é um ataque sistemático a essa credibilidade, com acusações sobre um possível déficit financeiro e até uma conta absurda – que, como o déficit, jamais foi comprovada – de que a UEG, uma das joias do sistema que garantiu a eleição dos atuais palacianos, tinha 600 mil títulos protestados diante de uma dívida global de 20 milhões de reais – o que daria uma média de irrisórios R$ 33,33 para cada protesto num total de 600 mil compras. Salvo comprovação oficial, isso é absurdamente surreal, um mero exemplo da consistência desse ataque às próprias origens.

O messianismo absolutista palaciano vem sendo praticado como seita fanática. O repúdio à sua origem é resultado imediato da incapacidade de se livrar de uma constatação que hoje até parece óbvia: não havia um projeto alternativo de governo, mas somente uma proposta de poder. É por essa razão que na campanha, o projeto apresentado ao julgamento dos eleitores goianos foi a de continuidade total de um modelo de gestão esmagadoramente aprovado pela população, e o que se vê agora, no exercício do poder, é exatamente o oposto daquilo que se apresentou ao eleitor.

 Assim, na desconstrução de sua origem, o poder palaciano tornou-se refém de sua ilusão. Há mais de três anos o governo amaldiçoa o próprio passado, como um filho que, após receber conhecimento nas melhores e mais caras escolas, trai o pai ao apontá-lo como desprezível analfabeto. Agora, vai se chegar ao encontro da inevitável realidade, e será necessário bancar a ilusória e fabricada versão de poder nascido de chocadeira.

A terceira via eleitoral, como alternativa à polarização entre Iris Rezende e Marconi Perillo, está sendo montada contra tudo o que de mais óbvio se constata há algum tempo. Este é um Palácio fraco eleitoralmente e reprovado administrativamente, dois dos supremos quesitos necessários para bancar qualquer tentativa de linha independente de atuação política. A terceira via, assim como está sendo articulada e proposta, não visa criar um projeto de governo ou, sequer, de poder. É somente uma aventura dentro do caos gestado na ilusão palaciana.

E no que isso vai dar? Em nada, certamente. É impossível prever neste momento qualquer chance de um negócio como esse resultar em algo positivo. Todas as pesquisas mostram que Iris e Marconi somam mais de 80% da preferência do eleitorado. Mais do que isso, revelam também que aquele que deveria ser o maior avalista da via alternativa não consegue ao menos se viabilizar, liderando somente a relação dos maiores rejeitados. Para completar, todos os possíveis e eventuais nomes dispostos na trincheira da 3ª via não vão além, quando muito, de 3% das intenções de voto.

A prática messiânica do poder absolutista palaciano leva à crença de que essa realidade é passageira. Que de agora até meados do ano que vem tudo será diferente. Pode até ser que realmente mude muita coisa, mas não há qualquer indicativo de que será para melhor. Ao contrário, a prática deste governo é caminhar do ruim para o pior. Exemplo? Um atualíssimo, para não se fazer necessário qualquer exercício de memória: quando ninguém mais imaginava, eis que voltam a falar na possibilidade de ocorrer atrasos nos salários dos servidores. E a culpa, como sempre se alega, é do passado. Até porque, na ilusória versão palaciana, o presente é perfeito, intocável e irreparável, apesar de a maioria esmagadora da população entender de maneira diferente.

Então, o que esperar de uma 3ª via? Absolutamente nada. É uma proposta vazia, gerada no fígado e não no cérebro. E nem se pode afirmar que a tese passará pelo crivo das bases e das lideranças que se colocarão no jogo duríssimo das eleições do ano que vem. A possibilidade de ocorrer um motim que tente impedir que a nau afunde e leve a todos para o limbo político é cruelmente real. Mesmo que isso implique em negar a liderança do comandante.

Certamente, os palacianos, cegos pela dimensão do poder, não percebem que não existem parceiros no caos. Há somente solidão.



Escrito por Afonso Lopes às 08h31
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Matéria - Jornal Opção - 18/10

RÁ­DIO E TV

O va­le quan­to pe­sa dos par­ti­dos

A distribuição do tempo de cada candidato na campanha eletrônica depende das bancadas partidárias, mas a militância também é importante numa eleição

AFON­SO LO­PES

A pri­mei­ra pro­vi­dên­cia que qual­quer can­di­da­to com­pe­ti­ti­vo ob­ser­va é o tem­po que ele te­rá pa­ra fa­zer cam­pa­nha no rá­dio e na te­le­vi­são. Nos di­as atu­ais, mais ain­da do que em ou­tras elei­ções, es­sa é uma ques­tão ab­so­lu­ta­men­te fun­da­men­tal, es­pe­ci­al­men­te le­van­do-se em con­ta a le­gis­la­ção elei­to­ral em vi­gor, que pro­í­be pra­ti­ca­men­te to­das as de­mais for­mas tra­di­cio­nais de pe­dir vo­tos, co­mo shows, brin­des, ca­mi­se­tas, ba­du­la­ques outros, além de ga­li­nha­das. O con­ta­to prin­ci­pal dos can­di­da­tos com a gran­de mas­sa dos elei­to­res pas­sou a ser os ve­í­cu­los de co­mu­ni­ca­ção, in­clu­in­do aí jor­nais e re­vis­tas — que es­tão sob re­gi­me de le­gis­la­ção di­fe­ren­te.

Mas co­mo con­se­guir uma boa par­ce­la do tem­po des­ti­na­do à cam­pa­nha elei­to­ral no rá­dio e na TV? É aqui que en­tra o pe­so de ca­da par­ti­do. De acor­do com a nor­ma em vi­gor, es­se tem­po é di­vi­di­do de acor­do com as ban­ca­das elei­tas na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos na elei­ção an­te­ri­or. Quan­to mais de­pu­ta­dos um par­ti­do ele­ge, mais tem­po ele pas­sa a ter di­rei­to na cam­pa­nha ele­trô­ni­ca na pró­xi­ma elei­ção. Por­tan­to, a di­vi­são do pa­lan­que ele­trô­ni­co pa­ra as elei­ções de 2010 já es­tá de­fi­ni­da des­de 2006.

Cin­co mai­o­res — Nas elei­ções do ano que vem o PMDB, in­di­vi­dual­men­te, te­rá o mai­or tem­po na cam­pa­nha ele­trô­ni­ca. Em se­gun­do lu­gar, ime­di­a­ta­men­te atrás, es­ta­rá o PT. Um pou­co mais dis­tan­te es­tão pra­ti­ca­men­te em­pa­ta­dos PSDB e DEM, com o PP, ain­da mais dis­tan­te, fe­chan­do a lis­ta dos cin­co mai­o­res tem­pos.

Quan­do dois ou mais par­ti­dos se co­li­gam, ca­da um de­les le­va sua par­ce­la de tem­po pa­ra a co­li­ga­ção in­tei­ra. É por es­sa ra­zão, nes­te ca­so, que to­dos os can­di­da­tos com­pe­ti­ti­vos sem­pre pro­cu­ram cos­tu­rar am­plos acor­dos par­ti­dá­rios. É cla­ro que, além da cam­pa­nha ele­trô­ni­ca, as co­li­ga­ções são fun­da­men­tais por­que am­pli­am o nú­me­ro de mi­li­tan­tes en­ga­ja­dos na elei­ção. Em ou­tras pa­la­vras, quan­to mai­or a co­li­ga­ção, me­lhor a par­ce­la des­ti­na­da ao rá­dio e à TV e mai­or o nú­me­ro de gen­te dis­pos­ta a car­re­gar a ban­dei­ra do can­di­da­to nas ru­as.

Es­ses dois in­gre­di­en­tes fa­zem de qual­quer pes­soa um can­di­da­to com­pe­ti­ti­vo? Sim e não. No pa­pel, um can­di­da­to res­pal­da­do por uma boa co­li­ga­ção ga­ran­te es­pa­ço ge­ne­ro­so no rá­dio e na TV, mas po­de não ter pro­por­ci­o­nal­men­te o mes­mo apoio das ba­ses par­ti­dá­ri­as. Os elei­to­res acom­pa­nham as dan­ças, an­dan­ças, mú­si­cas e efei­tos bem bo­la­dos dos pro­gra­mas elei­to­ra­is, mas o cli­ma nas ru­as de­ve ser cor­res­pon­den­te. Se a mi­li­tân­cia par­ti­dá­ria não se con­ta­gi­ar, os de­mais elei­to­res per­ce­bem que as cú­pu­las po­dem ter for­ça­do a bar­ra, lan­çan­do um can­di­da­to não na­tu­ral, im­pos­to go­e­la abai­xo den­tro do pro­ces­so elei­to­ral. Nor­mal­men­te, quan­do is­so ocor­re, há um di­vór­cio in­ter­no en­tre a cam­pa­nha ele­trô­ni­ca e as ru­as, com re­sul­ta­dos ca­tas­tró­fi­cos.

O con­trá­rio, e na exa­ta me­di­da, é in­tei­ra­men­te ver­da­dei­ro. Bons can­di­da­tos e bo­as co­li­ga­ções têm es­pa­ços ge­ne­ro­sos pa­ra “ven­der o pei­xe” no rá­dio e na te­le­vi­são e um exér­ci­to de pes­ca­do­res de vo­tos em ca­da rua, es­qui­na, me­sa de bar, fu­te­bol­zi­nho no fi­nal de se­ma­na, no tra­ba­lho, nas es­co­las e fa­cul­da­des. En­fim, uma mi­li­tân­cia e sim­pa­ti­zan­tes que res­pal­dam a cam­pa­nha ele­trô­ni­ca no co­ti­dia­no de to­dos os elei­to­res. Quan­do es­sa sim­bi­o­se per­fei­ta acon­te­ce, aí, sim, qual­quer can­di­da­to tem gran­des chan­ces de ven­cer a elei­ção.

Go­i­ás — A si­tu­a­ção par­ti­dá­ria da po­lí­ti­ca go­i­a­na não cor­res­pon­de com exa­ti­dão o po­der par­ti­dá­rio re­pre­sen­ta­do na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos. Por aqui (co­mo lá) o PMDB é o par­ti­do com mai­or ca­pi­la­ri­da­de, com pre­sen­ça em to­das as ci­da­des, vi­las e po­vo­a­dos. Pro­va­vel­men­te, não exis­te um úni­co quar­tei­rão de re­si­dên­cias no Es­ta­do que não con­te com pe­lo me­nos um mo­ra­dor pe­e­me­de­bis­ta. Is­so dá com­pe­ti­ti­vi­da­de a qual­quer can­di­da­to lan­ça­do pe­lo par­ti­do? Não exa­ta­men­te. Se o par­ti­do não res­pei­tar a ten­dên­cia ma­jo­ri­tá­ria, pro­va­vel­men­te so­fre­rá se­ve­ras res­tri­ções na cam­pa­nha, com re­fle­xos ne­ga­ti­vos no re­sul­ta­do fi­nal.

Os pe­e­me­de­bis­tas sa­bem mui­to bem co­mo is­so ocor­re. Em 1998, a can­di­da­tu­ra na­tu­ral do par­ti­do, es­ma­ga­do­ra­men­te pre­fe­ri­da in­ter­na­men­te, era a do en­tão go­ver­na­dor Ma­gui­to Vi­le­la, que po­de­ria se can­di­da­tar à re­e­lei­ção. Fis­su­ras in­ter­nas, ja­mais re­ve­la­das de­ta­lha­da­men­te, mu­da­ram es­sa ten­dên­cia na­tu­ral. Ma­gui­to se can­di­da­tou ao Se­na­do e saiu das ur­nas com mais de 1 mi­lhão de vo­tos, se ele­gen­do com in­tei­ra fa­ci­li­da­de. Iris Re­zen­de, que re­nun­ciou a um dos car­gos mais im­por­tan­tes da Re­pú­bli­ca, o de Mi­nis­tro da Jus­ti­ça (go­ver­no de Fer­nan­do Hen­ri­que Car­do­so), dis­pu­tou o go­ver­no e so­freu a pri­mei­ra der­ro­ta elei­to­ral de sua lon­ga e vi­to­ri­o­sa vi­da pú­bli­ca.

O se­gun­do gran­de par­ti­do de Go­i­ás é o PSDB, que ocu­pa, pra­ti­ca­men­te em­pa­ta­do com o DEM, a ter­cei­ra po­si­ção em Bra­sí­lia. A re­a­li­da­de de lá é com­ple­ta­men­te di­fe­ren­te da go­i­a­na. Os tu­ca­nos cons­tru­í­ram uma imen­sa re­de de mi­li­tan­tes e sim­pa­ti­zan­tes na úl­ti­ma dé­ca­da, em­bo­ra se­ja um par­ti­do his­to­ri­ca­men­te no­vo. O DEM, que vem de es­tir­pe po­lí­ti­ca mui­to mais an­ti­ga, é mui­tas ve­zes me­nor nes­se que­si­to. Sua mi­li­tân­cia e in­flu­ên­cia são gran­des, mas não tão nu­me­ro­sa, e é mui­to mais es­pa­lha­da. Além dis­so, os de­mo­cra­tas di­vi­dem com os pe­pis­tas a tal li­nha­gem his­tó­ri­ca.

Quem apa­re­ce em ter­cei­ro em Go­i­ás é exa­ta­men­te o PP, que ga­nhou fô­le­go nos úl­ti­mos três anos com a as­cen­são do go­ver­na­dor pe­pis­ta Al­ci­des Ro­dri­gues. O efei­to é mais ou me­nos aque­le vi­vi­do pe­lo PSDB em anos an­te­rio­res. O Pa­lá­cio sem­pre exer­ce um po­der de atra­ção for­mi­dá­vel. E foi por es­sa ra­zão que o PP, in­clu­si­ve, in­ver­teu po­si­ção com o DEM em Go­i­ás.

PTB e PR fe­cham a re­la­ção dos gran­des par­ti­dos no Es­ta­do. E se equi­va­lem em qua­se tu­do. Tan­to no que se re­fe­re ao tem­po de cam­pa­nha ele­trô­ni­ca co­mo em nú­me­ro de mi­li­tan­tes. Em al­gu­mas re­gi­ões o PTB se apre­sen­ta me­lhor que o PR, em ou­tras o PR tem mais par­ti­ci­pa­ção que o PTB.

E on­de en­tra o PT nes­sa his­tó­ria? Num pa­ta­mar li­gei­ra­men­te in­fe­ri­or. O par­ti­do vai mui­to bem em Go­i­â­nia e Aná­po­lis, mas ain­da não con­se­guiu fu­rar o blo­queio que exis­te nas re­gi­ões mais afas­ta­das. Tal­vez, e aqui en­tra­ria até um es­tu­do so­ciopo­lí­ti­co mui­to mais em­ba­sa­do, a ori­gem ver­me­lha ra­di­cal do PT ain­da per­ma­ne­ça no in­con­sci­en­te co­le­ti­vo mais con­ser­va­dor do in­te­ri­or de Go­i­ás co­mo uma bar­rei­ra.

Es­sa ima­gem ra­di­cal não cor­res­pon­de mais à re­a­li­da­de do PT, que se co­li­ga até com li­be­ra­is de­cla­ra­dos, e ad­mi­nis­tra com um vi­és so­ci­al-de­mo­cra­ta e não so­ci­a­lis­ta. Mas, pe­lo jei­to, is­so ain­da não foi di­ge­ri­do pe­las po­pu­la­ções do in­te­ri­or, es­pe­ci­al­men­te num Es­ta­do co­mo Go­i­ás, in­tei­ra­men­te li­ga­do ao se­tor ru­ral. Por lá, apa­ren­te­men­te, pre­va­le­ce a ideia de que o PT con­ti­nua sen­do a fon­te de apoio dos te­mi­dos mi­li­tan­tes do MST. Es­se te­mor já foi mui­to pi­or, mas ele ain­da exis­te e im­pe­de o avan­ço par­ti­dá­rio do PT no in­te­ri­or do Es­ta­do.

Em Bra­sí­lia, PDT, PSB e PPS têm ban­ca­das equi­va­len­tes. Em Go­i­ás, em in­flu­ên­cia par­ti­dá­ria, o PDT le­va van­ta­gem so­bre os ou­tros dois, mas tam­bém de ma­nei­ra mui­to lo­ca­li­za­da. E o mais cu­ri­o­so é que en­con­trar um mi­li­tan­te do PPS em Go­i­â­nia é mui­to mais co­mum do que um pe­de­tis­ta ou so­ci­a­lis­ta. Si­nal de que o PPS é um par­ti­do de qua­dros, e não de mas­sas.

Abai­xo des­ses, em Bra­sí­lia es­tão o PCdoB e o PV, tam­bém com ban­ca­das equi­va­len­tes. Os co­mu­nis­tas go­i­a­nos já fo­ram mui­to mais or­ga­ni­za­dos e in­flu­en­tes, ele­gen­do de­pu­ta­do fe­de­ral, es­ta­du­ais e ve­re­a­do­res em Go­i­â­nia. Per­de­ram mui­to do char­me que ti­nham, mas a le­gen­da con­ti­nua ten­do uma es­pé­cie de va­lor his­tó­ri­co. Já o PV so­bre­vi­ve em gue­tos li­ga­dos à de­fe­sa do meio am­bi­en­te. O par­ti­do não con­se­guiu até ho­je rom­per es­se ca­su­lo.

A cam­pa­nha no rá­dio e na TV

A cam­pa­nha ele­trô­ni­ca irá ao ar en­tre 17 de agos­to e 30 de se­tem­bro. Se­rão dois blo­cos, com for­ma­ção de re­de pe­los ve­í­cu­los (to­dos trans­mi­tin­do exa­ta­men­te a mes­ma pro­gra­ma­ção) de 50 mi­nu­tos ca­da um. Se­gun­das, quar­tas e sex­tas se­rão apre­sen­ta­das as cam­pa­nhas pa­ra go­ver­na­dor, se­na­dor e de­pu­ta­do es­ta­du­al. Os go­ver­na­do­res ocu­pa­rão 20 mi­nu­tos, os can­di­da­tos a de­pu­ta­do ou­tros 20 mi­nu­tos e os can­di­da­tos ao Se­na­do te­rão 10 mi­nu­tos. Ter­ças, quin­tas e sá­ba­dos en­tra­rão as cam­pa­nhas pa­ra pre­si­den­te e de­pu­ta­do fe­de­ral, com 25 mi­nu­tos pa­ra ca­da.

Além dos blo­cos 50 mi­nu­tos em re­de, a cam­pa­nha te­rá tam­bém ou­tros 30 mi­nu­tos di­á­rios, in­clu­si­ve aos do­min­gos, pa­ra a ve­i­cu­la­ção das cha­mas pí­lu­las — pe­ças de pro­pa­gan­da de 30 se­gun­dos ou 1 mi­nu­to — que são in­se­ri­das nas gra­des de pro­gra­ma­ção das emis­so­ras en­tre oi­to ho­ras da ma­nhã e meia-noi­te. A di­vi­são, nes­te ca­so, é de 5 mi­nu­tos pa­ra ca­da elei­ção — pre­si­den­te, go­ver­na­dor, se­na­dor, de­pu­ta­do fe­de­ral e de­pu­ta­do es­ta­du­al.



Escrito por Afonso Lopes às 06h56
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Matéria - Jornal Opção - 18/10

matéria - Final

 

Co­mo cal­cu­lar o tem­po de ca­da par­ti­do

A di­vi­são do tem­po de ca­da par­ti­do é cal­cu­la­da de acor­do com as ban­ca­das elei­tas pa­ra a Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos nas elei­ções de 2006. Quan­to mai­or a ban­ca­da, mai­or é o tem­po de cam­pa­nha. O cál­cu­lo, nes­te ca­so, é sim­ples. Se pe­ga o nú­me­ro de de­pu­ta­dos do par­ti­do e di­vi­de-se pe­lo to­tal de de­pu­ta­dos da Câ­ma­ra — 513. O re­sul­ta­do, eli­mi­nan­do-se o ze­ro an­tes da vír­gu­la, é o per­cen­tu­al a que o par­ti­do tem di­rei­to. Em ca­so de co­li­ga­ção en­tre dois par­ti­dos, de­ve-se so­mar o to­tal das du­as ban­ca­das e di­vi­dir por 513. Ve­ja a si­mu­la­ção abai­xo.

Par­ti­do A — ban­ca­da de 100 de­pu­ta­dos fe­de­ra­is elei­tos em 2006

Par­ti­do B — ban­ca­da de 53 de­pu­ta­dos fe­de­ra­is

Co­li­ga­ção A/B — 153 de­pu­ta­dos

Di­vi­são pro­por­ci­o­nal — 153 di­vi­di­do por 513 = 0,3001

Per­cen­tu­al fi­nal — 30,01%

A com­pli­ca­ção é mai­or na ho­ra de apli­car es­ses per­cen­tu­ais. Há mais re­gras pa­ra es­ta­be­le­cer o tem­po dos par­ti­dos em ca­da uma das cin­co elei­ções — pre­si­den­te, go­ver­na­dor, se­na­dor, de­pu­ta­do fe­de­ral e de­pu­ta­do es­ta­du­al.

Ca­da blo­co é di­vi­di­do em dois se­to­res. No pri­mei­ro, dois ter­ços do tem­po to­tal, de­ve-se apli­car o per­cen­tu­al ob­ti­do na di­vi­são re­fe­ren­te à ban­ca­da ou co­li­ga­ção. No exem­plo aqui cri­a­do, se­ria de 30%. O úl­ti­mo ter­ço é dis­tri­bu­í­do igua­li­ta­ria­men­te en­tre to­dos os par­ti­dos que te­nham can­di­da­tos e re­pre­sen­ta­ção na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos.

Va­mos pa­ra uma no­va si­mu­la­ção. Nes­te ca­so, pa­ra elei­ção de go­ver­na­dor, com qua­tro can­di­da­tu­ras.

O blo­co tem du­ra­ção to­tal de 20 mi­nu­tos. Co­mo é im­pos­sí­vel di­vi­dir 20 em três ter­ços exa­tos, o mais sim­ples é fa­zer as con­tas em se­gun­dos. Nes­te ca­so, 20 mi­nu­tos se trans­for­mam em 1.200 se­gun­dos, ou 400 se­gun­dos ca­da ter­ço.

Aí, mul­ti­pli­ca-se 800 se­gun­dos, equi­va­len­te a 2 ter­ços do to­tal, pe­lo per­cen­tu­al ob­ti­do na re­gra das ban­ca­das (no exem­plo an­te­ri­or, a co­li­ga­ção A/B te­ria 30%, 240 se­gun­dos). E o ter­ço res­tan­te, 400 se­gun­dos, di­vi­de-se por 4, na si­mu­la­ção com es­se nú­me­ro de can­di­da­tos, re­sul­tan­do em 100 se­gun­dos. So­man­do as du­as par­ce­las, a co­li­ga­ção A/B te­ria di­rei­to a 340 se­gun­dos, ou se­ja, 5 mi­nu­tos e 40 se­gun­dos, to­ta­li­zan­do 11 mi­nu­tos e 20 se­gun­dos por dia (em dois blo­cos). Ufa!

Es­sa re­gra va­le pa­ra to­das as elei­ções, obe­de­cen­do, cla­ro, a du­ra­ção de ca­da blo­co.



Escrito por Afonso Lopes às 06h56
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Conexão - Jornal Opção - 18/10

ENTORNO DO DF

O efeito Roriz

Ex-governador do DF, Joaquim Roriz promete apoiar candidatura de Iris Rezende Machado na região mais marconista de Goiás

A es­tru­tu­ra­ção de uma cam­pa­nha elei­to­ral pe­lo go­ver­no de um Es­ta­do é sem­pre mui­to com­pli­ca­da. É ta­re­fa pa­ra es­pe­cia­lis­tas. Os ama­do­res, nes­te ca­so, não de­vem fi­car nem na tor­ci­da. Eles só atra­pa­lham. O pre­fei­to Iris Re­zen­de Ma­cha­do sa­be mui­to bem dis­so. Ele já so­freu na car­ne po­lí­ti­ca os er­ros co­me­ti­dos pe­los ne­ó­fi­tos na cé­le­bre e já len­dá­ria cam­pa­nha de 1998. Na­que­la épo­ca, Iris se au­sen­tou do co­man­do do ta­bu­lei­ro e per­mi­tiu que tor­res, bis­pos e ca­va­los con­tro­las­sem o jo­go su­ces­só­rio. O re­sul­ta­do é aque­le que se co­nhe­ce e que al­te­rou os ru­mos da po­lí­ti­ca go­i­a­na: uma der­ro­ta ab­so­lu­ta­men­te ines­pe­ra­da.

No meio da se­ma­na, o pre­fei­to de­mons­trou na prá­ti­ca que as du­ras li­ções de 98 não fo­ram es­que­ci­das. Sa­be­dor de que ele vi­ve um pro­ble­ma mui­to gran­de do pon­to de vis­ta elei­to­ral na re­gi­ão do En­tor­no do DF, a mais mar­co­nis­ta de to­das as re­gi­ões do Es­ta­do, o pre­fei­to to­mou a fren­te nas ne­go­ci­a­ções com o ex-pe­e­me­de­bis­ta e ex-go­ver­na­dor do DF Jo­a­quim Ro­riz pa­ra es­ta­be­le­cer uma par­ce­ria en­tre eles em 2010.

É um re­for­ço con­si­de­rá­vel, sem dú­vi­da. Ro­riz ten­ta­rá vol­tar ao tro­no do Pa­lá­cio das Águas Cla­ras pe­la quin­ta vez. Ele ven­ceu as elei­ções três ve­zes e cum­priu man­da­to no­me­a­do em ou­tra. Is­so re­ve­la que seu no­me é ex­tre­ma­men­te co­nhe­ci­do no DF e, con­se­quen­te­men­te, em to­do o En­tor­no.

Qual o pe­so exa­to de um ca­bo-elei­to­ral co­mo es­se pa­ra a can­di­da­tu­ra de Iris Re­zen­de na re­gi­ão? Sa­be-se que é mui­to gran­de, mas não há co­mo di­men­si­o­nar com exa­ti­dão. Vá­rios fa­to­res po­dem pe­sar nes­sas con­tas. O pri­mei­ro e mais evi­den­te de­les é des­co­brir o ta­ma­nho do elei­to­ra­do sob sua in­flu­ên­cia que po­de­rá tro­car de pre­fe­rên­cia em re­la­ção ao go­ver­no de Go­i­ás. Além dis­so, não es­tá ain­da mui­to cla­ro o po­der de Ro­riz so­bre as li­de­ran­ças po­lí­ti­cas da re­gi­ão. Há al­guns anos, nin­guém ti­nha dú­vi­das de que ele exer­cia for­tís­si­ma in­flu­ên­cia so­bre a mai­o­ria dos lí­de­res lo­ca­is, mas os tem­pos são ou­tros.

Em sua ci­da­de de ori­gem, Lu­zi­â­nia, co­lhe-se um gran­de exem­plo des­se de­clí­nio de Ro­riz. Lá, quem dá as car­tas atu­al­men­te é o pre­fei­to Cé­lio Sil­vei­ra, mar­co­nis­ta de car­tei­ri­nha e com alta po­pu­la­ri­da­de em seu se­gun­do man­da­to con­se­cu­ti­vo. Ro­riz, é cla­ro, ain­da tem seus se­gui­do­res, co­mo é o ca­so do de­pu­ta­do fe­de­ral pe­e­me­de­bis­ta Mar­ce­lo Melo, mas Cé­lio Sil­vei­ra nem por is­so so­fre qual­quer ame­a­ça. Marcelo Melo, no entanto, encomendou pesquisa que mostrou que Roriz ainda é forte no Entorno.

Em For­mo­sa, a se­gun­da mais im­por­tan­te ci­da­de do En­tor­no, a in­flu­ên­cia de Ro­riz não é grande. O ba­ra­lho por lá con­ti­nua nas mãos do ho­je con­se­lhei­ro do TCM Se­bas­ti­ão Mon­tei­ro, o Ti­ão Ca­ro­ço. Ele não po­de mais se mis­tu­rar com a po­lí­ti­ca par­ti­dá­ria, mas is­so não im­pe­de que, na in­ti­mi­da­de, man­te­nha-se no al­to. Re­sul­ta­do de man­da­tos de pre­fei­to que o pro­je­ta­ram de­fi­ni­ti­va­men­te nas gra­ças da po­pu­la­ção lo­cal.

Bas­ta­ria a ci­ta­ção des­ses dois exem­plos pa­ra mos­trar que a ta­re­fa de Jo­a­quim Ro­riz em 2010 não se­rá tão fá­cil co­mo al­guns pe­e­me­de­bis­tas acre­di­tam, mas eles se es­ten­dem por qua­se to­das as ci­da­des da re­gi­ão. Ro­riz per­deu mui­to es­pa­ço. Mar­co­ni, na ex­tre­mi­da­de opos­ta, avan­çou.

Es­se não é o úni­co pro­ble­ma. Par­ce­ria pres­su­põe uma tro­ca de gen­ti­le­zas e fa­tos. E aqui en­tra uma equa­ção com­pli­ca­dís­si­ma. Con­for­me al­gu­mas pes­qui­sas, Mar­co­ni na­ve­ga com 75% das in­ten­ções de vo­to no En­tor­no do DF. Ro­riz tem pe­la fren­te uma dis­pu­ta acir­ra­dís­si­ma con­tra o go­ver­na­dor Jo­sé Roberto Ar­ru­da (DEM). E aqui en­tra­ria uma ques­tão cen­tral: até que pon­to Ro­riz es­ta­ria dis­pos­to a con­fron­tar-se com os elei­to­res mar­co­nis­tas a fa­vor de Iris Re­zen­de? Em ou­tras pa­la­vras, es­ta­ria Ro­riz dis­pos­to até a de­sa­gra­dar pos­sí­veis elei­to­res pa­ra de­fen­der os in­te­res­ses do PMDB go­i­a­no?

Bom, en­tão de­ve-se con­clu­ir que o acor­do Iris-Ro­riz não al­te­ra ab­so­lu­ta­men­te na­da a si­tu­a­ção elei­to­ral no En­tor­no do DF? Lon­ge dis­so. Al­te­ra mui­to. O que se ques­ti­o­na aqui são a pro­fun­di­da­de e a abran­gên­cia des­sa mu­dan­ça de qua­dro. Até por­que, se exis­tem fa­to­res ne­ga­ti­vos pa­ra Iris em re­la­ção ao tra­ba­lho que Ro­riz po­de­rá fa­zer na re­gi­ão, há ele­men­tos po­si­ti­vos tam­bém.

Campanha eletrônica — Por es­sas iro­ni­as do des­ti­no po­lí­ti­co, o pri­mei­ro fa­tor po­si­ti­vo pa­ra Iris é que Ro­riz não se­rá can­di­da­to pe­lo PMDB, mas por um par­ti­do in­sig­ni­fi­can­te do pon­to de vis­ta da cam­pa­nha ele­trô­ni­ca no rá­dio e na TV. Além dis­so, ele tam­bém não po­de­rá con­tar com uma for­te co­li­ga­ção. O re­sul­ta­do é que Jo­a­quim Ro­riz te­rá que bus­car nas ru­as aqui­lo que a TV não po­de­rá lhe dar, au­men­tan­do sub­stan­ci­al­men­te seu con­ta­to di­re­to com as po­pu­la­ções. É cer­to que os pe­e­me­de­bis­tas go­i­a­nos fi­ca­rão gru­da­dos na ca­ra­va­na ro­ris­ta to­das as ve­zes que ela aden­trar o ter­ri­tó­rio es­ta­du­al.

Por ou­tro la­do, o pre­fei­to Iris Re­zen­de não te­ria mui­to mais do que Ro­riz pa­ra ten­tar evi­tar uma ava­lan­che de vo­tos pró-Mar­co­ni no En­tor­no do DF, re­gi­ão que se equi­va­le a Go­i­â­nia em nú­me­ro de elei­to­res. Es­se, in­clu­si­ve, é um dos bons trun­fos de Mar­co­ni na sua ten­ta­ti­va de re­tor­nar ao go­ver­no de Go­i­ás. Com o En­tor­no, o tu­ca­no anu­la qual­quer pos­sí­vel van­ta­gem de Iris na ca­pi­tal.

Se­rá que a par­ce­ria Mar­co­ni-Jo­sé Roberto Ar­ru­da não anu­la­rá os efei­tos da du­pla Ro­riz-Iris? Po­de ser que sim. No pa­pel, pe­lo me­nos, a van­ta­gem da pri­mei­ra du­pla é in­ques­ti­o­ná­vel. Mas os ob­je­ti­vos de Mar­co­ni e Iris no En­tor­no não são os mes­mos. O tu­ca­no quer sa­ir de lá com uma mon­ta­nha avas­sa­la­do­ra de vo­tos. Iris só pre­ten­de mes­mo di­mi­nu­ir a di­fe­ren­ça pa­ra um pe­que­no mor­ro.

O fa­to é que Iris, pro intermédio de Ro­riz, de­ve­rá co­lo­car os pés num ter­re­no que an­tes era pan­ta­no­so e to­tal­men­te in­se­gu­ro. Por en­quan­to, não é pos­sí­vel per­ce­ber o quan­to is­so sig­ni­fi­ca e que pe­so te­rá em re­la­ção à dis­pu­ta con­tra Mar­co­ni. Mas pa­ra quem não ti­nha qual­quer es­pe­ran­ça de re­ver­ter a si­tu­a­ção, até que a co­lhei­ta foi boa.

Per­ma­ne­ce, po­rém, uma in­cóg­ni­ta nis­so tu­do. Até que pon­to a po­si­ção do PMDB do DF, que es­tá fe­cha­do com Jo­sé Roberto Ar­ru­da, não irá tra­ba­lhar pa­ra con­fun­dir e atra­pa­lhar a ação de Ro­riz a fa­vor do PMDB de Iris? Co­mo se po­de per­ce­ber, o En­tor­no do DF é uma cai­xa de pos­si­bi­li­da­des sem fim.



Escrito por Afonso Lopes às 06h43
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