Artigo - DM - 23/10/2009
Terceira via, a aventura do caos na desconstrução da origem Afonso Lopes A cúpula palaciana do PP tem insistido na possibilidade de lançar uma alternativa eleitoral à polarização entre o prefeito Iris Rezende Machado e o senador Marconi Perillo. Isso é possível ou não? Do ponto de vista da legislação, é claro que os dirigentes do PP podem fazer qualquer coisa nas eleições de 2010, inclusive nada. Ou não exatamente. Para determinar os rumos do PP no ano que vem os palacianos vão ter que apresentar alguma proposta e colher a maioria dos votos numa convenção. Em outras palavras, a cúpula terá que formular algo que tenha apoio suficiente para ser encampado também pela base partidária. Fala-se muito num tal poder palaciano. Ele é real, e se estende em todas as direções, da política partidária à administração pública, dos cargos nomeados às demissões em massa de adversários, do favorecimento eleitoral para aliados à perseguição implacável das bases oposicionistas. O poder palaciano pode muito. Mas não é absoluto, embora em alguns momentos os detentores temporários desse poder atuem com viés absolutista, alimentando ilusórios cenários do exercício desse poder. Essa visão absolutista está latente neste governo, e não é de agora. Desde o início de janeiro de 2007, há um esforço extraordinário para negar a realidade do passado recente, e criar uma nova versão para os fatos. Assim, embora com certo constrangimento, os palacianos negam, por exemplo, que só conseguiram chegar ao Palácio das Esmeraldas por obra e graça de um decisivo cabo eleitoral que carregou a proposta da continuidade na campanha de 2006, dando-lhe credibilidade popular. E o que vem sendo apresentado ao eleitor nos últimos três anos é um ataque sistemático a essa credibilidade, com acusações sobre um possível déficit financeiro e até uma conta absurda – que, como o déficit, jamais foi comprovada – de que a UEG, uma das joias do sistema que garantiu a eleição dos atuais palacianos, tinha 600 mil títulos protestados diante de uma dívida global de 20 milhões de reais – o que daria uma média de irrisórios R$ 33,33 para cada protesto num total de 600 mil compras. Salvo comprovação oficial, isso é absurdamente surreal, um mero exemplo da consistência desse ataque às próprias origens. O messianismo absolutista palaciano vem sendo praticado como seita fanática. O repúdio à sua origem é resultado imediato da incapacidade de se livrar de uma constatação que hoje até parece óbvia: não havia um projeto alternativo de governo, mas somente uma proposta de poder. É por essa razão que na campanha, o projeto apresentado ao julgamento dos eleitores goianos foi a de continuidade total de um modelo de gestão esmagadoramente aprovado pela população, e o que se vê agora, no exercício do poder, é exatamente o oposto daquilo que se apresentou ao eleitor. Assim, na desconstrução de sua origem, o poder palaciano tornou-se refém de sua ilusão. Há mais de três anos o governo amaldiçoa o próprio passado, como um filho que, após receber conhecimento nas melhores e mais caras escolas, trai o pai ao apontá-lo como desprezível analfabeto. Agora, vai se chegar ao encontro da inevitável realidade, e será necessário bancar a ilusória e fabricada versão de poder nascido de chocadeira. A terceira via eleitoral, como alternativa à polarização entre Iris Rezende e Marconi Perillo, está sendo montada contra tudo o que de mais óbvio se constata há algum tempo. Este é um Palácio fraco eleitoralmente e reprovado administrativamente, dois dos supremos quesitos necessários para bancar qualquer tentativa de linha independente de atuação política. A terceira via, assim como está sendo articulada e proposta, não visa criar um projeto de governo ou, sequer, de poder. É somente uma aventura dentro do caos gestado na ilusão palaciana. E no que isso vai dar? Em nada, certamente. É impossível prever neste momento qualquer chance de um negócio como esse resultar em algo positivo. Todas as pesquisas mostram que Iris e Marconi somam mais de 80% da preferência do eleitorado. Mais do que isso, revelam também que aquele que deveria ser o maior avalista da via alternativa não consegue ao menos se viabilizar, liderando somente a relação dos maiores rejeitados. Para completar, todos os possíveis e eventuais nomes dispostos na trincheira da 3ª via não vão além, quando muito, de 3% das intenções de voto. A prática messiânica do poder absolutista palaciano leva à crença de que essa realidade é passageira. Que de agora até meados do ano que vem tudo será diferente. Pode até ser que realmente mude muita coisa, mas não há qualquer indicativo de que será para melhor. Ao contrário, a prática deste governo é caminhar do ruim para o pior. Exemplo? Um atualíssimo, para não se fazer necessário qualquer exercício de memória: quando ninguém mais imaginava, eis que voltam a falar na possibilidade de ocorrer atrasos nos salários dos servidores. E a culpa, como sempre se alega, é do passado. Até porque, na ilusória versão palaciana, o presente é perfeito, intocável e irreparável, apesar de a maioria esmagadora da população entender de maneira diferente. Então, o que esperar de uma 3ª via? Absolutamente nada. É uma proposta vazia, gerada no fígado e não no cérebro. E nem se pode afirmar que a tese passará pelo crivo das bases e das lideranças que se colocarão no jogo duríssimo das eleições do ano que vem. A possibilidade de ocorrer um motim que tente impedir que a nau afunde e leve a todos para o limbo político é cruelmente real. Mesmo que isso implique em negar a liderança do comandante. Certamente, os palacianos, cegos pela dimensão do poder, não percebem que não existem parceiros no caos. Há somente solidão.
Escrito por Afonso Lopes às 08h31
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Matéria - Jornal Opção - 18/10
RÁDIO E TV
O vale quanto pesa dos partidos
A distribuição do tempo de cada candidato na campanha eletrônica depende das bancadas partidárias, mas a militância também é importante numa eleição
AFONSO LOPES
A primeira providência que qualquer candidato competitivo observa é o tempo que ele terá para fazer campanha no rádio e na televisão. Nos dias atuais, mais ainda do que em outras eleições, essa é uma questão absolutamente fundamental, especialmente levando-se em conta a legislação eleitoral em vigor, que proíbe praticamente todas as demais formas tradicionais de pedir votos, como shows, brindes, camisetas, badulaques outros, além de galinhadas. O contato principal dos candidatos com a grande massa dos eleitores passou a ser os veículos de comunicação, incluindo aí jornais e revistas — que estão sob regime de legislação diferente.
Mas como conseguir uma boa parcela do tempo destinado à campanha eleitoral no rádio e na TV? É aqui que entra o peso de cada partido. De acordo com a norma em vigor, esse tempo é dividido de acordo com as bancadas eleitas na Câmara dos Deputados na eleição anterior. Quanto mais deputados um partido elege, mais tempo ele passa a ter direito na campanha eletrônica na próxima eleição. Portanto, a divisão do palanque eletrônico para as eleições de 2010 já está definida desde 2006.
Cinco maiores — Nas eleições do ano que vem o PMDB, individualmente, terá o maior tempo na campanha eletrônica. Em segundo lugar, imediatamente atrás, estará o PT. Um pouco mais distante estão praticamente empatados PSDB e DEM, com o PP, ainda mais distante, fechando a lista dos cinco maiores tempos.
Quando dois ou mais partidos se coligam, cada um deles leva sua parcela de tempo para a coligação inteira. É por essa razão, neste caso, que todos os candidatos competitivos sempre procuram costurar amplos acordos partidários. É claro que, além da campanha eletrônica, as coligações são fundamentais porque ampliam o número de militantes engajados na eleição. Em outras palavras, quanto maior a coligação, melhor a parcela destinada ao rádio e à TV e maior o número de gente disposta a carregar a bandeira do candidato nas ruas.
Esses dois ingredientes fazem de qualquer pessoa um candidato competitivo? Sim e não. No papel, um candidato respaldado por uma boa coligação garante espaço generoso no rádio e na TV, mas pode não ter proporcionalmente o mesmo apoio das bases partidárias. Os eleitores acompanham as danças, andanças, músicas e efeitos bem bolados dos programas eleitorais, mas o clima nas ruas deve ser correspondente. Se a militância partidária não se contagiar, os demais eleitores percebem que as cúpulas podem ter forçado a barra, lançando um candidato não natural, imposto goela abaixo dentro do processo eleitoral. Normalmente, quando isso ocorre, há um divórcio interno entre a campanha eletrônica e as ruas, com resultados catastróficos.
O contrário, e na exata medida, é inteiramente verdadeiro. Bons candidatos e boas coligações têm espaços generosos para “vender o peixe” no rádio e na televisão e um exército de pescadores de votos em cada rua, esquina, mesa de bar, futebolzinho no final de semana, no trabalho, nas escolas e faculdades. Enfim, uma militância e simpatizantes que respaldam a campanha eletrônica no cotidiano de todos os eleitores. Quando essa simbiose perfeita acontece, aí, sim, qualquer candidato tem grandes chances de vencer a eleição.
Goiás — A situação partidária da política goiana não corresponde com exatidão o poder partidário representado na Câmara dos Deputados. Por aqui (como lá) o PMDB é o partido com maior capilaridade, com presença em todas as cidades, vilas e povoados. Provavelmente, não existe um único quarteirão de residências no Estado que não conte com pelo menos um morador peemedebista. Isso dá competitividade a qualquer candidato lançado pelo partido? Não exatamente. Se o partido não respeitar a tendência majoritária, provavelmente sofrerá severas restrições na campanha, com reflexos negativos no resultado final.
Os peemedebistas sabem muito bem como isso ocorre. Em 1998, a candidatura natural do partido, esmagadoramente preferida internamente, era a do então governador Maguito Vilela, que poderia se candidatar à reeleição. Fissuras internas, jamais reveladas detalhadamente, mudaram essa tendência natural. Maguito se candidatou ao Senado e saiu das urnas com mais de 1 milhão de votos, se elegendo com inteira facilidade. Iris Rezende, que renunciou a um dos cargos mais importantes da República, o de Ministro da Justiça (governo de Fernando Henrique Cardoso), disputou o governo e sofreu a primeira derrota eleitoral de sua longa e vitoriosa vida pública.
O segundo grande partido de Goiás é o PSDB, que ocupa, praticamente empatado com o DEM, a terceira posição em Brasília. A realidade de lá é completamente diferente da goiana. Os tucanos construíram uma imensa rede de militantes e simpatizantes na última década, embora seja um partido historicamente novo. O DEM, que vem de estirpe política muito mais antiga, é muitas vezes menor nesse quesito. Sua militância e influência são grandes, mas não tão numerosa, e é muito mais espalhada. Além disso, os democratas dividem com os pepistas a tal linhagem histórica.
Quem aparece em terceiro em Goiás é exatamente o PP, que ganhou fôlego nos últimos três anos com a ascensão do governador pepista Alcides Rodrigues. O efeito é mais ou menos aquele vivido pelo PSDB em anos anteriores. O Palácio sempre exerce um poder de atração formidável. E foi por essa razão que o PP, inclusive, inverteu posição com o DEM em Goiás.
PTB e PR fecham a relação dos grandes partidos no Estado. E se equivalem em quase tudo. Tanto no que se refere ao tempo de campanha eletrônica como em número de militantes. Em algumas regiões o PTB se apresenta melhor que o PR, em outras o PR tem mais participação que o PTB.
E onde entra o PT nessa história? Num patamar ligeiramente inferior. O partido vai muito bem em Goiânia e Anápolis, mas ainda não conseguiu furar o bloqueio que existe nas regiões mais afastadas. Talvez, e aqui entraria até um estudo sociopolítico muito mais embasado, a origem vermelha radical do PT ainda permaneça no inconsciente coletivo mais conservador do interior de Goiás como uma barreira.
Essa imagem radical não corresponde mais à realidade do PT, que se coliga até com liberais declarados, e administra com um viés social-democrata e não socialista. Mas, pelo jeito, isso ainda não foi digerido pelas populações do interior, especialmente num Estado como Goiás, inteiramente ligado ao setor rural. Por lá, aparentemente, prevalece a ideia de que o PT continua sendo a fonte de apoio dos temidos militantes do MST. Esse temor já foi muito pior, mas ele ainda existe e impede o avanço partidário do PT no interior do Estado.
Em Brasília, PDT, PSB e PPS têm bancadas equivalentes. Em Goiás, em influência partidária, o PDT leva vantagem sobre os outros dois, mas também de maneira muito localizada. E o mais curioso é que encontrar um militante do PPS em Goiânia é muito mais comum do que um pedetista ou socialista. Sinal de que o PPS é um partido de quadros, e não de massas.
Abaixo desses, em Brasília estão o PCdoB e o PV, também com bancadas equivalentes. Os comunistas goianos já foram muito mais organizados e influentes, elegendo deputado federal, estaduais e vereadores em Goiânia. Perderam muito do charme que tinham, mas a legenda continua tendo uma espécie de valor histórico. Já o PV sobrevive em guetos ligados à defesa do meio ambiente. O partido não conseguiu até hoje romper esse casulo.
A campanha no rádio e na TV
A campanha eletrônica irá ao ar entre 17 de agosto e 30 de setembro. Serão dois blocos, com formação de rede pelos veículos (todos transmitindo exatamente a mesma programação) de 50 minutos cada um. Segundas, quartas e sextas serão apresentadas as campanhas para governador, senador e deputado estadual. Os governadores ocuparão 20 minutos, os candidatos a deputado outros 20 minutos e os candidatos ao Senado terão 10 minutos. Terças, quintas e sábados entrarão as campanhas para presidente e deputado federal, com 25 minutos para cada.
Além dos blocos 50 minutos em rede, a campanha terá também outros 30 minutos diários, inclusive aos domingos, para a veiculação das chamas pílulas — peças de propaganda de 30 segundos ou 1 minuto — que são inseridas nas grades de programação das emissoras entre oito horas da manhã e meia-noite. A divisão, neste caso, é de 5 minutos para cada eleição — presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
Escrito por Afonso Lopes às 06h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Matéria - Jornal Opção - 18/10
matéria - Final Como calcular o tempo de cada partido
A divisão do tempo de cada partido é calculada de acordo com as bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados nas eleições de 2006. Quanto maior a bancada, maior é o tempo de campanha. O cálculo, neste caso, é simples. Se pega o número de deputados do partido e divide-se pelo total de deputados da Câmara — 513. O resultado, eliminando-se o zero antes da vírgula, é o percentual a que o partido tem direito. Em caso de coligação entre dois partidos, deve-se somar o total das duas bancadas e dividir por 513. Veja a simulação abaixo.
Partido A — bancada de 100 deputados federais eleitos em 2006
Partido B — bancada de 53 deputados federais
Coligação A/B — 153 deputados
Divisão proporcional — 153 dividido por 513 = 0,3001
Percentual final — 30,01%
A complicação é maior na hora de aplicar esses percentuais. Há mais regras para estabelecer o tempo dos partidos em cada uma das cinco eleições — presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
Cada bloco é dividido em dois setores. No primeiro, dois terços do tempo total, deve-se aplicar o percentual obtido na divisão referente à bancada ou coligação. No exemplo aqui criado, seria de 30%. O último terço é distribuído igualitariamente entre todos os partidos que tenham candidatos e representação na Câmara dos Deputados.
Vamos para uma nova simulação. Neste caso, para eleição de governador, com quatro candidaturas.
O bloco tem duração total de 20 minutos. Como é impossível dividir 20 em três terços exatos, o mais simples é fazer as contas em segundos. Neste caso, 20 minutos se transformam em 1.200 segundos, ou 400 segundos cada terço.
Aí, multiplica-se 800 segundos, equivalente a 2 terços do total, pelo percentual obtido na regra das bancadas (no exemplo anterior, a coligação A/B teria 30%, 240 segundos). E o terço restante, 400 segundos, divide-se por 4, na simulação com esse número de candidatos, resultando em 100 segundos. Somando as duas parcelas, a coligação A/B teria direito a 340 segundos, ou seja, 5 minutos e 40 segundos, totalizando 11 minutos e 20 segundos por dia (em dois blocos). Ufa!
Essa regra vale para todas as eleições, obedecendo, claro, a duração de cada bloco.
Escrito por Afonso Lopes às 06h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Conexão - Jornal Opção - 18/10
ENTORNO DO DF
O efeito Roriz
Ex-governador do DF, Joaquim Roriz promete apoiar candidatura de Iris Rezende Machado na região mais marconista de Goiás
A estruturação de uma campanha eleitoral pelo governo de um Estado é sempre muito complicada. É tarefa para especialistas. Os amadores, neste caso, não devem ficar nem na torcida. Eles só atrapalham. O prefeito Iris Rezende Machado sabe muito bem disso. Ele já sofreu na carne política os erros cometidos pelos neófitos na célebre e já lendária campanha de 1998. Naquela época, Iris se ausentou do comando do tabuleiro e permitiu que torres, bispos e cavalos controlassem o jogo sucessório. O resultado é aquele que se conhece e que alterou os rumos da política goiana: uma derrota absolutamente inesperada.
No meio da semana, o prefeito demonstrou na prática que as duras lições de 98 não foram esquecidas. Sabedor de que ele vive um problema muito grande do ponto de vista eleitoral na região do Entorno do DF, a mais marconista de todas as regiões do Estado, o prefeito tomou a frente nas negociações com o ex-peemedebista e ex-governador do DF Joaquim Roriz para estabelecer uma parceria entre eles em 2010.
É um reforço considerável, sem dúvida. Roriz tentará voltar ao trono do Palácio das Águas Claras pela quinta vez. Ele venceu as eleições três vezes e cumpriu mandato nomeado em outra. Isso revela que seu nome é extremamente conhecido no DF e, consequentemente, em todo o Entorno.
Qual o peso exato de um cabo-eleitoral como esse para a candidatura de Iris Rezende na região? Sabe-se que é muito grande, mas não há como dimensionar com exatidão. Vários fatores podem pesar nessas contas. O primeiro e mais evidente deles é descobrir o tamanho do eleitorado sob sua influência que poderá trocar de preferência em relação ao governo de Goiás. Além disso, não está ainda muito claro o poder de Roriz sobre as lideranças políticas da região. Há alguns anos, ninguém tinha dúvidas de que ele exercia fortíssima influência sobre a maioria dos líderes locais, mas os tempos são outros.
Em sua cidade de origem, Luziânia, colhe-se um grande exemplo desse declínio de Roriz. Lá, quem dá as cartas atualmente é o prefeito Célio Silveira, marconista de carteirinha e com alta popularidade em seu segundo mandato consecutivo. Roriz, é claro, ainda tem seus seguidores, como é o caso do deputado federal peemedebista Marcelo Melo, mas Célio Silveira nem por isso sofre qualquer ameaça. Marcelo Melo, no entanto, encomendou pesquisa que mostrou que Roriz ainda é forte no Entorno.
Em Formosa, a segunda mais importante cidade do Entorno, a influência de Roriz não é grande. O baralho por lá continua nas mãos do hoje conselheiro do TCM Sebastião Monteiro, o Tião Caroço. Ele não pode mais se misturar com a política partidária, mas isso não impede que, na intimidade, mantenha-se no alto. Resultado de mandatos de prefeito que o projetaram definitivamente nas graças da população local.
Bastaria a citação desses dois exemplos para mostrar que a tarefa de Joaquim Roriz em 2010 não será tão fácil como alguns peemedebistas acreditam, mas eles se estendem por quase todas as cidades da região. Roriz perdeu muito espaço. Marconi, na extremidade oposta, avançou.
Esse não é o único problema. Parceria pressupõe uma troca de gentilezas e fatos. E aqui entra uma equação complicadíssima. Conforme algumas pesquisas, Marconi navega com 75% das intenções de voto no Entorno do DF. Roriz tem pela frente uma disputa acirradíssima contra o governador José Roberto Arruda (DEM). E aqui entraria uma questão central: até que ponto Roriz estaria disposto a confrontar-se com os eleitores marconistas a favor de Iris Rezende? Em outras palavras, estaria Roriz disposto até a desagradar possíveis eleitores para defender os interesses do PMDB goiano?
Bom, então deve-se concluir que o acordo Iris-Roriz não altera absolutamente nada a situação eleitoral no Entorno do DF? Longe disso. Altera muito. O que se questiona aqui são a profundidade e a abrangência dessa mudança de quadro. Até porque, se existem fatores negativos para Iris em relação ao trabalho que Roriz poderá fazer na região, há elementos positivos também.
Campanha eletrônica — Por essas ironias do destino político, o primeiro fator positivo para Iris é que Roriz não será candidato pelo PMDB, mas por um partido insignificante do ponto de vista da campanha eletrônica no rádio e na TV. Além disso, ele também não poderá contar com uma forte coligação. O resultado é que Joaquim Roriz terá que buscar nas ruas aquilo que a TV não poderá lhe dar, aumentando substancialmente seu contato direto com as populações. É certo que os peemedebistas goianos ficarão grudados na caravana rorista todas as vezes que ela adentrar o território estadual.
Por outro lado, o prefeito Iris Rezende não teria muito mais do que Roriz para tentar evitar uma avalanche de votos pró-Marconi no Entorno do DF, região que se equivale a Goiânia em número de eleitores. Esse, inclusive, é um dos bons trunfos de Marconi na sua tentativa de retornar ao governo de Goiás. Com o Entorno, o tucano anula qualquer possível vantagem de Iris na capital.
Será que a parceria Marconi-José Roberto Arruda não anulará os efeitos da dupla Roriz-Iris? Pode ser que sim. No papel, pelo menos, a vantagem da primeira dupla é inquestionável. Mas os objetivos de Marconi e Iris no Entorno não são os mesmos. O tucano quer sair de lá com uma montanha avassaladora de votos. Iris só pretende mesmo diminuir a diferença para um pequeno morro.
O fato é que Iris, pro intermédio de Roriz, deverá colocar os pés num terreno que antes era pantanoso e totalmente inseguro. Por enquanto, não é possível perceber o quanto isso significa e que peso terá em relação à disputa contra Marconi. Mas para quem não tinha qualquer esperança de reverter a situação, até que a colheita foi boa.
Permanece, porém, uma incógnita nisso tudo. Até que ponto a posição do PMDB do DF, que está fechado com José Roberto Arruda, não irá trabalhar para confundir e atrapalhar a ação de Roriz a favor do PMDB de Iris? Como se pode perceber, o Entorno do DF é uma caixa de possibilidades sem fim.
Escrito por Afonso Lopes às 06h43
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |



|
Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Homem, de 46 a 55 anos
|
|