Matéria - Jornal Opção - 25/10/2009
SOB PRESSÃO
Como Marconi pode se proteger
Na última semana, pela primeira vez o próprio senador tucano acusou ataques contra o que considera seu patrimônio político
AFONSO LOPES
Os aliados mais próximos do senador Marconi Perillo sempre disseram que os adversários, novos ou antigos, trabalham para implodir o que eles próprios entendem ser o patrimônio político do tucano. Na última semana, o próprio Marconi resolveu reclamar das críticas e dos críticos. Não no sentido da censura, mas com o propósito de reação. Mas, afinal, o que ele pode fazer para se proteger dos ataques?
É evidentemente uma tarefa difícil. Marconi está na alça de mira de um incontável número de adversários. É natural que seja assim. Ele representa um grupamento político extremamente competitivo e, enquanto ele estiver em posição de destaque, é claro que seus adversários vão tentar de todas as formas derrubá-lo. Ou, no mínimo, torná-lo mais fraco eleitoralmente.
Sem efeito — O curioso em tudo isso é que, embora esteja realmente sob pesado bombardeio e tenha manifestado preocupação com o fato, até agora ele praticamente escapou ileso. A prova desse fato é que a última pesquisa eleitoral realizada até agora mostrou que sua rejeição está nos mesmos patamares em que sempre esteve, na faixa de 15%. Em outras palavras, se a intenção dos adversários era enfraquecê-lo, o objetivo ainda continua muito longe de ser alcançado.
Então, por que Marconi acusou o golpe? Sabe-se lá, talvez porque tudo isso o esteja incomodando. Na realidade, ao longo desse tempo, especialmente desde o final da campanha eleitoral de 2006, o tucano tem se protegido através da tentativa de neutralização dos ataques por intermédio de seus aliados. Ultimamente, observa-se inclusive uma inversão do processo, com os marconistas devolvendo os petardos com muito mais intensidade.
Esse é um detalhe que incomoda os antimarconistas de todos os segmentos. Mesmo após sofrer ataques praticamente sem qualquer defesa mais articulada, o tucano não somente sobreviveu como agora está começando a partir para a contraofensiva. O mais grave é que, aparentemente, o estoque de bombas dos antimarconistas parece ser cada vez mais raro. Dizer mais o que contra ele?
Marconi já foi acusado de quase tudo, desde desagregador e individualista até gestor que provocou o desequilíbrio das contas do Estado. Para 85% da população, isso tudo não passa de tiroteio político. Existe, inclusive, a possibilidade de a população ter se fartado de tantos ataques, e deixado de dar muita bola para eles. Falar mal das gestões do tucano já foi moda. Pelo jeito, deixou de ser.
Isso significa que a tendência é de dias mais tranquilos para Marconi? Longe disso. A pressão vai continuar indefinidamente e tende, inclusive, a recrudescer quanto mais se aproximar 2010. O objetivo dos adversários é nitidamente eleitoral, e é exatamente isso que está em jogo.
Não há muitas formas de proteção no campo aberto das disputas políticas. Especialmente para quem se prepara para enfrentar o desafio das urnas. Isso significa que em muito breve a capacidade de reação e contra-ataque de Marconi e seus aliados será colocada definitivamente à prova. Não que na política se copie a máxima do futebol, de que a melhor defesa é o ataque. Em muitos casos, se tornar vítima é o melhor caminho.
Em 1990, Iris Rezende tinha diante dele o mais formidável exército adversário que ele já havia enfrentado até então. A lista dos generais do “lado de lá” reunia nomes como Mauro Borges, Henrique Santillo, Paulo Roberto Cunha, Irapuan Costa Júnior e Iram saraiva. No primeiro e único debate daquela eleição pela TV, Iris foi surpreendido por ferozes ataques demolidores desferidos por Iram Saraiva. Enquanto se defendia, completamente atordoado, Paulo Roberto Cunha teve folga suficiente para fazer seu proselitismo eleitoral com muita competência.
Na avaliação de todos os especialistas, Iram tinha conseguido derrubar Iris Rezende e Paulo Roberto Cunha curtiu os louros da vitória. Para a população, no entanto, o efeito foi exatamente o oposto. Iris figurou como vítima de um ex-aliado (Iram tinha sido eleito senador pelo PMDB e se filiou ao PDT para disputar a eleição) e isso desviou o foco sobre Paulo Roberto. No fritar da omelete, Iris apareceu como vencedor do debate aos olhos da população.
Se tornar-se vítima naquele momento foi positivo para a imagem do candidato Iris, ao longo da campanha isso perdeu impacto e permitiu um contínuo crescimento da candidatura de Paulo Roberto Cunha, que tinha como base o segundo mais forte grupamento político do Estado. Iris não atacou, e acabou perdendo força na reta final da campanha. Para muitos, um terrível acidente de carro, quando voltava para Goiânia após um dia inteiro de palanques e discursos, garantiu a vitória a Iris Rezende sem necessidade de segundo turno. Se essa tese estiver correta, mais uma vez surge enquanto tema a figura da vítima.
Diferente — O cenário atual é completamente oposto ao de 1990. Não há, certamente, um modelo pronto e acabado para Marconi Perillo, alvo principal deste período pré-eleitoral. Mas, com certeza, dificilmente ele irá se beneficiar agindo passivamente. Até aqui, a posição dos seus aliados foi suficiente para evitar maiores danos à sua imagem. Mas isso tem prazo de validade.
Quem irá disputar as eleições para o governo do Estado será Marconi e não os deputados ou demais lideranças ligadas a ele. Portanto, vai chegar o momento em que ele próprio terá que se defender e, ato contínuo, atacar com precisão cirúrgica. Se exagerar, terá que enfrentar um sério efeito colateral, que é colar à sua imagem uma dose conjunta de ira e ódio. Para os seus adversários, isso seria o paraíso: um erro grave num momento de decisão.
Escrito por Afonso Lopes às 08h04
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Conexão - Jornal Opção - 25/10/2009
PESQUISA SERPES/O POPULAR
Incerteza na maior eleição da história
Primeira rodada da tradicional pesquisa Serpes/O Popular mostra que as eleições de 2010 serão duramente disputadas
As eleições de 2010 ainda estão muito distantes. De agora até o encontro com as urnas, serão quase 11 meses. É muito tempo. Daqui até lá ainda passaremos por muitas e boas. Natal, ano-novo, carnaval e, suprassumo da última Coca-Cola gelada do deserto, a Copa do Mundo. E, só então, todos irão mergulhar na campanha eleitoral. E “todos”, neste caso, refere-se à população, porque o mundo político já está na guerra. E que guerra, torcida brasileira...
Será a mais disputada eleição da história de Goiás sem qualquer dúvida. A polarização entre o senador Marconi Perillo (PSDB) e o prefeito Iris Rezende (PMDB) atingiu o ponto máximo da ebulição. A última comprovação sobre isso surgiu nos resultados apresentados pela primeira rodada da tradicional pesquisa Serpes, publicada pelo jornal “O Popular” na segunda-feira, 19. Em todas as simulações, desde um quadro geral com todos os nomes mais comentados como possíveis candidatos até na individualização, o que marcou foi a diferença muito pequena entre Iris e Marconi. Sempre dentro da chamada margem de erro, que o instituto informou ser na casa dos 3 pontos.
E, cabe aqui a velha pergunta: com tanto tempo faltando para as eleições, é possível falar em polarização? Velha resposta: claro que é. Existem inúmeros aspectos que envolvem um processo eleitoral. O maior deles é a composição antagônica das forças políticas. E, pelo menos neste momento, Iris e Marconi são os representantes dessas forças. Isso, por si só, não invalidaria a dúvida a respeito dessa polarização, já que não é impossível o surgimento de outro grupamento forte. O problema aqui é a cultura sociopolítica dos goianos, que prima historicamente pela polarização entre somente dois grupos, e não entre três ou quatro. Então, quebrar essa cultura tão enraizada não é coisa fácil nem instantânea, que nasce e cresce durante uma campanha.
Nem todos os Estados brasileiros são dessa forma. No Rio Grande do Sul e em São Paulo, para ficar em apenas dois exemplos, a polarização sempre ocorre com três forças. Em Minas Gerais, Distrito Federal, Mato Grosso, Ceará e em inúmeros outros Estados, a disputa fica restrita a dois grupos políticos.
Há quem diga que essa polarização dupla é ruim. Não é nem ruim nem boa. É somente uma questão, como disse, cultural. O Brasil, majoritariamente, também segue o modelo duplo nas disputas presidenciais. Assim como os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Alemanha, França e Japão. Então, vendo assim, não há vantagens nem para um modelo nem para o outro.
E nesse ponto, retorna-se à polarização entre Iris e Marconi. Será possível que um terceiro grupamento quebre essa polarização? Neste momento, claro que não. Mas, sabe-se lá o que poderá acontecer de agora até julho do ano que vem, quando serão fechadas as convenções partidárias. E, ao citar esse prazo, chega-se à conclusão que o tempo até as urnas é mais curto do que se imagina. De agora até essa primeira grande definição são nove meses. E se for levar em conta que é necessário preparar o terreno para não encontrar surpresas desagradáveis nas convenções, então o prazo é menor ainda.
Não é por outro motivo que o prefeito Iris Rezende avisou que não pretende esperar o mês de março para definir quem será o candidato a governador pelo PMDB. Iris, que é unanimidade dentro do partido, apesar de pequena dissidência, não pode ficar até março sangrando sem parar pela falta de definição interna entre sua candidatura e a alternativa Henrique Meirelles. E dificilmente, apesar de sempre chutar a bola para Meirelles, Iris deixará de ser candidato.
Mas ele, Iris, se apresenta como favorito para as eleições de 2010? Não. Nem ele nem Marconi. Qualquer um dos dois é favoritíssimo individualmente contra outro candidato, inclusive Meirelles, mas entre eles não há favoritismo. É isso que faz de 2010 o exclusivíssimo ano da maior eleição da história de Goiás. Será, que ninguém duvide, uma disputa épica, inigualável. Como jamais se viu outra igual.
A primeira rodada da pesquisa Serpes evidentemente não pode ser projetada, enquanto resultado, para o futuro. É, como sempre se fala, um retrato deste momento. De qualquer forma, há evidentes sinais captados também na pesquisa Ecope, publicada pelo “Diário da Manhã”, de que a inserção de Iris e Marconi no processo político-eleitoral pode ser definitiva.
Quem aposta numa terceira onda eleitoral costuma citar como exemplo da volatilidade dos porcentuais das pesquisas o gráfico das eleições de 2006, quando o governador Alcides Rodrigues saiu na rabeira do processo e terminou na frente. Só que aqui não se coloca que o governador era o representante de um dos dois grandes grupos políticos do Estado. Portanto, a terceira via se formata muito mais com o viés de 1994.
Naquela eleição, enquanto o grupo peemedebista saiu unido em torno de Maguito Vilela, a outra força política se partiu ao meio com as candidaturas de Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado. Ou seja, não se caracterizou ali uma polarização em torno de três grupos, mas de apenas dois, com uma divisão em um deles.
Caso realmente vingue a ideia de lançamento de outra candidatura com o objetivo de se inserir entre Iris e Marconi, restará somente uma dúvida: qual dos dois grandes grupamentos é que ficará dividido. Em tese, o terceiro nome fragiliza a candidatura de Marconi, mas as coisas podem evoluir de forma diferente. Caso a terceira via assuma uma conotação antimarconista, assim como já o faz até de maneira natural Iris Rezende, pode ser que a divisão ocorra na raia irista.
Enfim, tudo isso mostra que Iris e Marconi têm muito trabalho pela frente. Para eles, 11 meses é pouco menos que um dia.
Escrito por Afonso Lopes às 08h03
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |



|
Meu perfil
BRASIL, Centro-Oeste, GOIANIA, Homem, de 46 a 55 anos
|
|